Foto: Reuters
Destaques da Copa do Mundo 2026
Campeão: Espanha
A Espanha se sagrou bicampeã do mundo neste domingo, após a dominante mas difícil vitória em cima da Argentina. Os espanhóis já eram favoritos para levar a melhor, porém desde o início do mata-mata os argentinos mostraram uma resiliência gigantesca que desequilibrou diversos jogos e que quase os salvou na final.
Nenhum jogo dessa Copa do Mundo saiu do controle da equipe espanhola. Até apagaram seu favoritismo após o empate contra o Cabo Verde, mas ainda assim o domínio do time treinado por Luís de la Fuente foi muito grande e só não foi transformado em goleada por conta de uma atuação histórica do goleiro Vozinha.
Na final não foi diferente. Apesar da demora para transformar o volume de jogo em gol e abrir o placar, a Argentina só foi ter sua primeira finalização na partida no minuto 117, quando já estava 1x0. Depois de quase duas horas assistindo a Espanha jogar, a Argentina conseguiu chegar uma vez. Nunca, em toda a história das Copas do Mundo, houve uma superioridade tão grande como essa num confronto entre as duas melhores seleções do planeta. Isso já explica o nível que essa Espanha alcançou.
Apenas 1 gol sofrido durante toda a Copa do Mundo. 7 jogos sem sofrer gol em 8 partidas disputadas. Unai Simón, Pedro Porro, Cubarsí, Laporte, Cucurella e Rodri, juntos, formaram o sistema defensivo mais sólido, seguro e eficiente de todas as Copas (tanto defensivamente quanto na saída de bola). Anularam o “quarteto mágico” francês, Messi, Cristiano, e quebraram o recorde de mais clean sheets (7) em uma única campanha.
Melhor jogador: Rodri
O desempenho da Espanha graças à capacidade do volante Rodri de controlar uma partida e fazer o que quer com ela. Prestando atenção nos movimentos e nas ações dele, é possível enxergar para onde (e em qual velocidade) o jogo vai. Assim como era com Sergio Busquets. Com a bola nos pés, Rodri controla os espaços e o tempo do jogo como pouquíssimos jogadores já fizeram nos maiores palcos do futebol. E sem a bola, o craque espanhol adianta a marcação, pressiona e recupera a bola em questão de poucos segundos.
Não é à toa que de tantos jogadores tendo uma temporada espetacular, todos fizeram jogos apagados e foram eliminados no momento que encontraram com a Espanha de Rodri. E também não é à toa que dentre tantos craques fazendo uma Copa recheada de gols e assistências, a Bola de Ouro da Copa (prêmio dado ao melhor jogador do torneio) foi entregue às mãos de Rodri, um volante sem participações diretas em gols. Justamente pelo impacto que o capitão espanhol conseguiu ter mesmo longe do gol adversário.
Apesar dos holofotes e dos olhos dos espectadores apontarem para o ataque, atualmente o jogo é quase sempre decidido no meio de campo. Principalmente quando um dos times tem um meio campista que lidera o grupo como um maestro, ditando o ritmo do jogo e explorando os espaços - Xhaka também jogou dessa forma pela Suíça. Por isso que o treinador De La Fuente montou essa Espanha ao redor de Rodri - que nas palavras do manager de 65 anos, é o melhor jogador do planeta - e seus companheiros de time sempre procuram ele quando não sabem o que fazer com a bola. E foi por esse motivo que a Espanha levantou a taça da Copa do Mundo 2026.
O futebol muda de acordo com as gerações, e certos tipos de jogador são mais importantes em épocas específicas. Nos dias de hoje, é um verdadeiro privilégio ter um maestro “todo-campista” como o Rodri no time. E o ótimo técnico Luís de la Fuente soube extrair o melhor de seu capitão.
Campeão da UEFA Champions League em 2023, eleito o melhor jogador da competição;
Campeão da UEFA Nations League em 2023, eleito o melhor jogador;
Campeão do Mundial de Clubes em 2023, eleito o melhor jogador;
Campeão da Eurocopa em 2024, eleito o melhor jogador;
Bola de Ouro em 2024, eleito o melhor jogador do mundo;
E agora, campeão da Copa do Mundo 2026 sendo eleito o melhor jogador da competição.
Além dos 4 títulos de Premier League, 7 troféus de copas inglesas e 2 Supercopas da UEFA. Rodri é um dos grandes. Um dos maiores e melhores volantes de toda a história do futebol.
Melhor jovem jogador: Pau Cubarsí
O melhor jogador sub-21 foi, indiscutivelmente, Pau Cubarsí. O zagueiro de 19 anos fez uma Copa de gente grande, com números muito raros de se ver até mesmo em edições passadas. O defensor espanhol, estatisticamente, fez uma campanha igual - ou até superior - à de Fabio Cannavaro em 2006, quando o italiano venceu a Copa do Mundo e em seguida a Bola de Ouro.
Além de ser o melhor jovem, Cubarsí também foi o melhor defensor da Copa. Seu parceiro de zaga Laporte e o lateral Cucurella também foram muito bem. Juntos, eles pararam atacantes brilhantes como CR7, Lukaku, Mbappé, Dembélé, Olise, Álvarez e Messi.
O zagueiro titular do Barcelona já era visto como uma das maiores promessas do mundo do futebol, e após uma campanha como essa no maior palco do esporte, é impossível já não tratá-lo como uma realidade. Além de vencer muitos duelos, sua principal característica é a qualidade na saída de bola. Cubarsí tem uma visão de jogo e um passe muito refinado.
Outra jovem revelação foi Johan Manzambi, meio campista versátil da Suíça. Se tornou o jogador mais jovem a ter 5 participações diretas (3 gols e 2 assistências) desde Pelé em 1958, quando registrou 9 participações aos 17 anos. Após a eliminação, o meia de 20 anos deixou o Freiburg e assinou com o Aston Villa, por 70 milhões de euros.
Melhor goleiro: Vozinha
O melhor goleiro da Copa do Mundo 2026 foi Vozinha. Atuações espetaculares contra as duas seleções finalistas - Espanha e Argentina -, somando 15 defesas em 18 chutes enfrentados nesses dois jogos. Não sofreu gol contra a campeã Espanha e parou Messi duas vezes com duas defesas cruciais que levaram o jogo para a prorrogação, dando uma chance para o Cabo Verde em um jogo que já diziam estar ganho.
Vozinha se tornou um ícone e marcou a Copa do Mundo 2026 com suas defesas e seu carisma. A campanha de mutirão iniciada pela CazéTV depois do empate contra a Espanha fez o goleiro cabo-verdiano alcançar a marca de 30 milhões de seguidores no Instagram, ser procurado por diversos clubes conhecidos (Inter Miami, Real Betis, Grêmio, Colo-Colo, etc) conhecer lendas do futebol, e mais. Fica marcado como uma das histórias mais legais do futebol em 2026.
A FIFA deu o prêmio de melhor goleiro ao espanhol Unai Simón por conta dos recordes defensivos que a Espanha conquistou nesta campanha, mas essas estatísticas foram mais mérito coletivo da defesa do que necessariamente um destaque do goleiro - que por sinal quase não foi exigido na Copa. Ainda assim, Unai Simón também é um ótimo goleiro, muito seguro, confiável com os pés, e mereceu ser premiado. Kobel também fez uma grande Copa do Mundo e não seria injusto vê-lo com o prêmio.
Artilheiro: Kylian Mbappé (10 gols)
Para a surpresa de poucos, o artilheiro da Copa do Mundo 2026 foi Kylian Mbappé. Foram 10 gols marcados no torneio, o melhor desempenho em números do atacante francês em Copas (marcou 4 gols em 2018 e 8 em 2022).
A artilharia que vinha sendo disputada jogo a jogo com Messi e Haaland acabou sendo decidida apenas na rodada final (final e disputa de 3° lugar), com o craque do Real Madrid marcando 2 gols contra a Inglaterra. Esses gols não só o tornaram o artilheiro desta edição, como também o fizeram superar Lionel Messi como o maior artilheiro da história das Copas. Nessa campanha tanto Mbappé quanto Messi superaram Miroslav Klose (16 gols). O francês hoje tem 22 gols, e o craque argentino se retira de Copas do Mundo com 21.
Garçom: Michael Olise (7 assistências)
Michael Olise foi o garçom da Copa do Mundo, com um total de 7 assistências. O ponta armador francês bateu o recorde de mais assistências em uma única edição de Copa do Mundo, que pertencia ao Rei Pelé com 6 passes para gol em 1970.
Jogo da Copa: Argentina 3x2 Cabo Verde
O melhor jogo da Copa do Mundo 2026 foi o duelo entre Messi e Vozinha na fase de 16 avos de final. O embate que era tido como um dos mais previsíveis da segunda fase da Copa acabou sendo o que mais gerou entretenimento. Messi, eleito o melhor em campo, teve uma atuação magistral e marcou gol, enquanto o adversário Vozinha fez uma partida espetacular com 8 defesas e até brincou com alguns dribles.
Outros jogos de destaque foram:
México 2x3 Inglaterra (show de Bellingham no Estadio Azteca);
Espanha 2x0 França (Rodri, Cubarsí e Cucurella apagando as estrelas francesas);
Argentina 2x1 Inglaterra (clássico intercontinental decidido por Messi);
Holanda 1x1 Marrocos (jogo muito físico mal apitado por Wilton P. S.);
Costa do Marfim 1x2 Noruega (Amad Diallo super-sub)
Alemanha (3) 1x1 (4) Paraguai (alemães caem cedo num clima de Libertadores)
Argentina 3x2 Egito (virada épica orquestrada por Messi em um jogo de arbitragem polêmica)
Gol da Copa: Sidney Lopes Cabral (Cabo Verde vs Argentina aos 103’)
O gol da Copa do Mundo foi marcado por Sidney Lopes Cabral contra a Argentina. Já estava na prorrogação e o Cabo Verde perdia por 2x1, até o lateral canhoto bater de muito longe, na quina da área, um chute colocado com a perna direita e empatar o jogo marcando uma pintura no gol de Dibu Martínez.
Defesa da Copa: Verbruggen (Holanda vs Marrocos aos 97’)
O goleiro holandês fez a melhor defesa da Copa do Mundo na prorrogação da fase de 16 avos de final, contra o Marrocos. Na ocasião, Rahimi saiu na cara do gol após receber um passe do Saibari em uma jogada de alta velocidade, e finalizou muito bem no canto. Ainda assim, não foi o suficiente para bater Verbruggen, que manteve a Holanda no jogo ao fazer uma defesa de puro reflexo com a ponta dos dedos.
Drible da Copa: Rashford (Inglaterra vs França aos 33’)
O melhor drible da Copa do Mundo, agora oficialmente premiado com o troféu ‘The Dribbler’, foi a caneta de Marcus Rashford em cima do Zaire-Emery no jogo de disputa pelo 3° lugar. Enquanto virava o corpo, o ponta ex-Barcelona rolou a bola por baixo das pernas do adversário e em seguida chutou de muito longe, acertando o canto do goleiro Dean Henderson que conseguiu espalmar e impedir o que seria um dos grandes gols do torneio.
XI da Copa do Mundo (4-2-3-1):
GOL: Vozinha (Cabo Verde);
ZAG: Muñoz (Colômbia), Upamecano (França), Cubarsí (Espanha) e Cucurella (Espanha);
MEIO: Rodri (Espanha), Xhaka (Suíça) e Bellingham (Inglaterra);
ATA: Messi (Argentina), Haaland (Noruega) e Mbappé (França).
RESERVAS: Kobel (GOL - Suíça), Porro (Espanha), Romero (ZAG - Argentina), Martínez (ZAG - Argentina), Laporte (ZAG - Espanha), Paredes (VOL - Argentina), Odegaard (MC - Noruega), Olmo (MEI - Espanha), Vini (PE - Brasil), Dembélé (PD - França) e Kane (ATA - Inglaterra)






