Análise dos 16 avos de final: Paraguai elimina Alemanha, Messi vs Vozinha, e Brasil vira contra o Japão

 

    Foto: Divulgação/FIFA


O Brasil nos 16 avos

    A Seleção Brasileira venceu o Japão de virada por 2x1, com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli.

    No primeiro jogo do mata-mata da Copa do Mundo 2026, Ancelotti escalou o mesmo time da 3° rodada da fase de grupos - repetindo tanto o sistema tático quanto os jogadores.

  • O que preocupou?
        O primeiro tempo foi ruim pela falta de criação de chances. Melhoramos no 2° tempo com a entrada de Endrick, porém a seleção brasileira não sabia como se portar depois que tomou o gol. Com a bola, o time tinha um imenso senso de urgência que não nos levava a lugar algum - talvez por nervosismo -, e sem a bola, faltava vontade de pressionar a saída de jogo japonesa.

    Isso preocupa pois mostra que, apesar da virada no final, o Brasil reage muito mal à gols sofridos e não sabe como aumentar o ritmo/intensidade de jogo sem aumentar o nervosismo dos jogadores junto.

    Casemiro como volante titular é outro ponto que preocupa. Não tem futebol para ser titular da seleção brasileira mais, independentemente se ele fez o gol de empate contra o Japão. Afinal, ele é um jogador defensivo e deve também ser julgado pela forma que defende. E sejamos sinceros, o ex-volante do Real Madrid, atualmente no Manchester United, não passa confiança para a torcida, e de 4 jogos nessa Copa, ele não soube executar sua função em 2: contra Marrocos (foi abaixo defendendo e terrível na saída de bola, tomando uma aula do volante adversário de 18 anos, Bouaddi) e Japão (péssimo primeiro tempo, melhorou no segundo).

    Para enfrentar a Noruega na próxima fase, Ancelotti precisa tirar Casemiro do time pois o meio de campo brasileiro será muito mais exigido fisicamente contra o país nórdico. E ele não tem condições de marcar o Odegaard. Fabinho é mais alto e mais veloz, portanto deveria começar jogando. Lucas Beraldo deveria ser o titular da posição, mas nosso treinador nem o convocou para a competição.

    Finalizando, outra preocupação para a seleção brasileira é a lesão de Lucas Paquetá. Está fora do restante da Copa, e o favorito para substituí-lo nos olhos do treinador é Gabriel Martinelli. Entretanto, Martinelli não é meio campista e essa mudança deve significar a volta do 4-2-4 que o Brasil utilizou quando fez um jogo tenebroso contra Marrocos na estreia. O certo seria manter o esquema tático dos últimos jogos (4-3-3 com Matheus Cunha de falso 9), com as únicas alterações sendo Fabinho e Danilo Santos nos lugares de Casemiro e Paquetá. Mas Ancelotti é teimoso.


  • Melhor jogador do Brasil
    Bruno Guimarães. Dominante os 90 minutos, o volante do Newcastle foi o verdadeiro motivo para a virada. Bruno é um dos únicos do time que sabe como controlar uma partida, e no segundo tempo ele controlou o meio de campo inteiro. Mesmo sem um companheiro digno de seleção brasileira na volância da equipe, ele conseguiu ajudar o Brasil a virar o jogo pois soube a hora de acelerar e a hora de diminuir o ritmo. E para completar, deu a assistência para o gol de Martinelli já nos acréscimos do 2° tempo.




Destaques dos 16 avos da Copa do Mundo 2026

  • Melhor seleção: Espanha
        A Espanha confirmou seu favoritismo com uma atuação muito convincente diante da Áustria. A vitória por 3x0 foi construída com autoridade, muito controle da posse de bola e uma atuação coletiva sólida, sem dar chances para que os austríacos conseguissem equilibrar a partida em qualquer momento.

    Mais do que o placar, a forma como a equipe espanhola venceu chama atenção. Dominando o meio-campo, pressionando alto e criando oportunidades com naturalidade, e sem ceder um chute a gol sequer. Assim a Espanha mostrou por que é a principal candidata ao título. Um dos grandes méritos da Espanha foi a maneira como controlou completamente o ritmo do jogo. Mesmo quando a Áustria tentou adiantar suas linhas para pressionar, os espanhóis encontraram espaços com facilidade, movimentaram a bola com rapidez e transformaram o domínio em chances claras de gol. Foi uma atuação madura, segura e praticamente sem sustos.

    Com o resultado, a Espanha avança embalada e reforça a impressão de que chega forte para a sequência da Copa. Além da qualidade individual de seu elenco, a equipe vem demonstrando um futebol coletivo muito consistente em que praticamente todos os jogadores jogam bem e participam bastante, com boa organização defensiva e muita eficiência no ataque. Se conseguir manter esse nível nas próximas fases, os espanhóis certamente terão facilidade para enfrentar quem quer que seja no mata-mata. E o próximo adversário já é Portugal, nas oitavas de final.



  • Melhor jogador: Amad Diallo
    O melhor jogador da fase de 16 avos de final foi... Amad Diallo! O costa-marfinense de 23 anos conseguiu ser o destaque da rodada mesmo sem ser titular e sem vencer. Amad saiu do banco na reta final do jogo, aos 60', e mudou todo o cenário da partida. O ponta direita foi brilhante na defesa e no ataque e quase decidiu o jogo por conta própria.  

    O jovem da Costa do Marfim entrou na partida quando seu país perdia por 1x0, atuando como meia atacante, e a partir daí fez as coisas acontecerem. Apenas 6 minutos depois dele entrar, numa cobrança de escanteio a Noruega quase aumentou o placar para 2x0, porém Amad surgiu e tirou a bola em cima da linha, mantendo os marfinenses no jogo. Um pouco depois, aos 75', ele apareceu novamente - só que agora no campo de ataque. O garoto tabelou com Pépé, recebeu de volta, driblou três noruegueses, e balançou a rede. Um golaço. Porém, o inevitável sempre acontece. Apesar do gol de empate, não demorou muito para a Noruega voltar à frente no placar. Afinal, Haaland é inevitável e só precisa de uma bola para matar o jogo. Aos 86', a bola chegou: 2x1. Ainda assim a Costa do Marfim continuou buscando o empate e pressionando os vikings.

    Em um dos últimos lances da partida, aos 90+6', a bola caiu novamente no pé de Amad Diallo, e ele quase fez história. Uma falta de muito longe do gol, cobrada com a mesma perna esquerda que tinha empatado o jogo vinte minutos atrás. Numa batida na bola à la Messi, Amad acertou o ângulo do gol norueguês, uma das cobranças mais bonitas da Copa do Mundo 2026. Porém o goleiro Nyland foi lá buscar, também em uma das defesas mais bonitas da Copa. Lembrou o Rogério Ceni naquela defesa decisiva do Mundial de 2005 na falta do Steven Gerrard. Depois dessa defesa, Amad ainda foi cobrar o escanteio na última chance da partida, e criou uma chance clara de gol cruzando a bola na cabeça do atacante - que cabeceou para longe... Fim de jogo, Noruega 2x1 Costa do Marfim.

Amad precisou de 30 minutos em campo para tirar uma bola em cima da linha, marcar um gol de placa, criar uma chance clara de gol para um companheiro, e quase empatar o jogo com o que seria o melhor gol do torneio. No imaginário da torcida da Costa do Marfim, fica a dúvida de como seria o cenário que eles tanto pediram mas que o treinador não escutou: como seria se Amad Diallo fosse titular da Costa do Marfim desde o início da Copa? Nunca saberemos.




  • Melhor jovem jogador (sub-21): Gilberto Mora
  
    Gilberto Mora mostrou mais uma vez por que é considerado uma das maiores promessas do planeta. Na vitória sobre o Equador pelos 16 avos de final, o meio-campista de 17 anos comandou as principais ações ofensivas de sua seleção, participando da construção das jogadas, encontrando bons passes entre as linhas, sabendo a hora de parar e a de acelerar, e demonstrando muita personalidade mesmo em um jogo de mata-mata de Copa do Mundo. Transformando sua atuação em números, o mexicano teve 3 finalizações, 2 chances criadas, 1 drible certo, 5 recuperações de bola, 1 desarme, 1 interceptação e 80% de duelos vencidos (4/5).

    O que mais impressiona em Mora é a naturalidade com que joga no mais alto nível. Mesmo sendo o segundo atleta mais jovem da história da competição (atrás apenas de Pelé em 1958), o meia não se esconde da responsabilidade, pede a bola a todo momento e toma boas decisões com ela nos pés. Contra o Equador, ele foi o cérebro da equipe durante grande parte da partida e confirmou que seu nome merece estar entre os jovens mais promissores do futebol mundial.



  • Melhor goleiro: Orlando Gill
    Decisivo no tempo normal e decisivo nos pênaltis. Orlando Gill foi o grande nome do Paraguai nessa classificação histórica para as oitavas de final da Copa do Mundo, eliminando a Alemanha nos pênaltis. Os sul-americanos nunca venceram uma partida de mata-mata, a única classificação tinha sido em 2010, também nos pênaltis, quando os paraguaios eliminaram o Japão.

    Orlando Gill fez 5 defesas no tempo normal, com a melhor de suas defesas vindo no último lance do 1° tempo da prorrogação no chute do Kai Havertz. Além disso, ele ainda fez 2 defesas nas disputas de pênalti: pegou a cobrança do Havertz e do Woltemade, com o zagueiro alemão Tah isolando a bola no pênalti decisivo. Gill, goleiro reserva do San Lorenzo, não era titular do Paraguai no início da Copa. Tudo indicava que o experiente Gatito Fernández, ex-Botafogo, seria o guarda-redes da seleção. Porém Gill conquistou seu espaço no time, e fez história contra a gigantesca seleção da Alemanha na primeira fase do mata-mata. O desafio continua, afinal o próximo adversário do Paraguai é a poderosa França de Mbappé.

    Menção honrosa para as atuações brilhantes dos goleiros Vozinha - que fez ainda mais história após bater de frente com Messi e quase eliminar a Argentina em um dos melhores jogos dessa Copa - e Bono - que decidiu por Marrocos contra a Holanda inovando, se movendo nas cobranças de pênalti como um goleiro de futsal.

    

  • Gol mais bonito: Sidney Lopes Cabral vs Argentina
  • Jogo da rodada: Argentina 3x2 Cabo Verde
  • Equipe dos 16 avos de final (4-4-2): 

          GOL: O. Gill (Paraguai)
          ZAG: Wan-Bissaka (Congo), Canale (Paraguai), L. Martínez (Argentina) e Cucurella (Espanha);
          MEIO: Ashour (Egito), Tielemans (Bélgica), Eustáquio (Canadá) e Amad Diallo (Costa do Marfim);
          ATA: Messi (Argentina) e Mbappé (França).